Unidos, jornais de bairro prometem ampliar atuação

(março, 2016)

Criar um novo site, garantir presença nas redes sociais, organizar o cadastro de dezenas de empresas que distribuem jornais e revistas nos mais diversos bairros da capital paulista. Estes são apenas os desafios iniciais da Ajorb/SP – Associação dos Jornais e Revistas de Bairro de São Paulo, que tem promovido reuniões mensais com editores das publicações em sua sede, na região central de São Paulo.

A mais recente delas aconteceu na quarta, dia 1, e demonstrou que as novas estratégias estão funcionando: o número de representantes de empresas interessados em participar da nova fase da Ajorb tem crescido, assim como a qualidade da interação entre eles.

“Acho interessante haver uma pauta, organizar nossa atuação. Temos força e tradição junto às comunidades em que atuamos”, avalia Rafael Henrique Rodrigues, da Gazeta de Santo Amaro, que tem comparecido aos últimos encontros e é um dos interessados em trabalhar por uma associação renovada.

“Nós temos desafios futuros, mas a verdade é que a distribuição gratuita de informação de qualidade tem importância em uma cidade do tamanho de São Paulo, onde cada distrito, cada bairro tem sua característica”, aposta Marco Cezar Côrtes, dos Jornais de Bairros Associados.

Para Eugênio Cantero, da Gazeta Penhense, recém eleito presidente da Ajorb, a união representa uma inédita oportunidade de valorização da comunicação regionalizada. “Mesmo com o crescimento da internet e toda a gama de informações disponíveis gratuitamente na rede, boa parte dos leitores interessados em conteúdo de qualidade, tem dificuldades para encontrar dicas, dados e fatos relacionados ao seu cotidiano”, diz ele.

“O jornal de bairro, além de oferecer dicas de lazer, cultura e gastronomia aos leitores, de forma regionalizada, ainda luta por melhoria da qualidade de vida local. Leva às autoridades demandas que o cidadão, sozinho, tem dificuldades em encaminhar, em se fazer ouvir”, ressalta Wagner D’Angelo, do jornal SP Zona Sul, que é vice-presidente de comunicação da Ajorb.

A associação, aliás, buscará também demonstrar que a discussão de problemas e soluções de forma regionalizada é uma ação de caráter sustentável. “A cidade tem 11 milhões de habitantes distribuídos em 96 distritos, com centenas de bairros. Cada um tem sua especificidade”, analisa Silvio Carlos Machado, da Gazeta de Vila Formosa.

Para Mauro Silva, da Gazeta do Tatuapé, o momento é propício à união de forças entre os jornais. “Temos um grande potencial comercial. As agências que representam governos, grandes empresas, instituições, podem encontrar no jornal de bairro uma solução para tempos de investimentos mais enxutos em publicidade e busca de meios alternativos de conexão com o público que, muitas vezes, deixou de ser assinante de jornal e tem pouco acesso à internet”, diz.

E os números iniciais já impressionam. “As cerca de 30 editoras de jornais que já se cadastraram na nova Ajorb/SP somam semanalmente algo entre 600 mil e 700 mil exemplares distribuídos gratuitamente em mais de 60 distritos da cidade”, conta Wagner Farias, da Gazeta de Pinheiros, que é vice-presidente de comercialização da Ajorb/SP.

“É um novo momento e estamos muito animados em mostrar a força que esta união trará em comunicação na capital paulista”, resumiu Fabiano Vinagreiro, do jornal Sintonia Leste.

A Ajorb
Prestes a completar 45 anos, a Associação de Jornais e Revistas de Bairro de São Paulo (Ajorb-SP) está em uma nova fase. Ao mesmo tempo em que valoriza sua trajetória e dos jornais representados – vários deles com décadas de história em defesa da qualidade de vida de cada pedaço da cidade – a Ajorb busca se modernizar e alinhar às modernas mídias eletrônicas e comunicação em tempos de rede social.